Água Viva protocola novo ofício e cobra, mais uma vez, transparência na operação “Tapa-Buracos” da Prefeitura de Guarujá

Em mais uma tentativa da sociedade civil de romper o silêncio e a falta de transparência do poder público, a Associação Guarujá Viva – Água Viva protocolou, no dia 13 de novembro de 2025, o Ofício 530/2025, reiterando pela terceira vez sua solicitação à Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara Municipal.

A primeira demanda encaminhada à Comissão ocorreu em junho de 2025, por meio do ofício AV 459/2025 (16/06), seguida pelo AV 497/2025 (14/08) — ambos protocolados sem que houvesse qualquer resposta, nem mesmo uma negativa formal.

O novo documento reforça a necessidade urgente de abertura de expediente para apurar a falta de notas fiscais e demais comprovantes da operação “tapa-buracos”, realizada pela Prefeitura entre janeiro e março deste ano.

A decisão de acionar a Comissão de Fiscalização e Controle foi motivada pela entrega incompleta das informações solicitadas via Lei de Acesso à Informação. Embora parte da documentação tenha sido disponibilizada, as notas fiscais permanecem retidas, impedindo a verificação dos gastos relacionados às mais de 1.500 toneladas de asfalto aplicadas no período e comprometendo o cruzamento das informações financeiras e operacionais.

O primeiro pedido de informações foi feito ainda em abril de 2025, quando parte da documentação foi entregue. Entretanto, a negativa quanto ao envio das notas fiscais se repetiu diversas vezes, mesmo após reiterados recursos administrativos.

A Associação destaca que a Prefeitura continua negando acesso a documentos básicos, utilizando de forma inadequada a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) como justificativa. Tal argumento, porém, não se sustenta juridicamente, uma vez que a LGPD não protege dados empresariais, como CNPJ, razão social e endereço comercial — justamente as informações constantes nas notas fiscais requisitadas.

Confirmações de recebimento nos gabinetes da Câmara

Após o envio do novo ofício, a entidade confirmou o recebimento em praticamente todos os gabinetes que compõem a Comissão. As assessorias dos gabinetes das vereadoras e vereadores Ariani S. Paz, Edilson D. Andrade e Marcio N. Tardelli registraram oficialmente o recebimento do documento. Já o gabinete do vereador Santiago S. Angelo encontrava-se fechado, conforme informado pela recepção da Câmara Municipal, não sendo possível confirmar o recebimento até a publicação desta matéria.

A confirmação de recebimento representa um passo importante, mas insuficiente, já que a Comissão permanece sem adotar nenhuma medida.

Silêncio da Prefeitura e justificativas frágeis

No novo ofício, a associação destaca que a Prefeitura insiste em negar acesso às notas fiscais e documentos básicos da operação, utilizando de forma inadequada a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) como justificativa. A entidade aponta que a alegação não se sustenta juridicamente, pois a LGPD não protege dados empresariais, como CNPJ, razão social e endereço comercial — justamente as informações presentes em notas fiscais.

A omissão configura potencial violação dos princípios da publicidade, legalidade e moralidade administrativa previstos no art. 37 da Constituição.

Mais um chamado da sociedade civil

Os cidadãos de Guarujá merecem saber quanto está sendo gasto, onde e com quem. A operação tapa-buracos envolve recursos públicos e contratos que precisam ser tratados com seriedade e transparência”, afirma José Manoel Ferreira Gonçalves, presidente da Água Viva.

No ofício, a associação solicita que a Comissão:

  1. Abra imediatamente expediente de investigação;
  2. Requisite à Prefeitura, com prazo definido, notas fiscais, contratos, empenhos e ordens de serviço;
  3. Exija transparência plena no Portal da Transparência;
  4. Avalie encaminhamento às instâncias competentes.

Com três ofícios protocolados, sucessivas negativas de acesso a documentos e meses de silêncio da Prefeitura, a Associação Guarujá Viva reafirma seu compromisso com a fiscalização cidadã e a defesa da transparência pública.

O novo protocolo deixa claro que a sociedade civil está fazendo sua parte — agora resta saber se o poder público fará a dele.

HISTÓRICO

Água Viva recebe documentos da Prefeitura, mas ausência de notas fiscais impede o cruzamento das informações sobre a operação “tapa-buracos”

Após meses de cobranças e reiterados pedidos de acesso à informação, a Associação Guarujá Viva recebeu parte dos documentos referentes à operação tapa-buracos realizada entre janeiro e março de 2025. Contudo, permanecem ausentes as notas fiscais que deveriam comprovar os gastos relativos às mais de 1.500 toneladas de asfalto aplicadas nesse período, o que impede o devido cruzamento das informações financeiras e operacionais.

A equipe técnica da associação dará início à análise dos materiais recebidos, que consistem basicamente em listagens de vias atendidas e dados parciais sobre a execução dos serviços. Sem as notas fiscais e demais comprovantes, seguem sem resposta questões essenciais para a transparência e o controle social:
Quanto foi gasto? Quais empresas foram contratadas? Houve processo licitatório? Os valores pagos correspondem aos serviços efetivamente executados?

Meses de solicitações e respostas incompletas

Desde abril, a associação vem realizando pedidos com base na Lei de Acesso à Informação (LAI). O Ofício nº 0434/2025 cobrou:

  • Relação de vias atendidas;
  • Quantidade e tipo de massa asfáltica utilizada;
  • Custos detalhados por localidade;
  • Gastos com transporte e frete;
  • Notas fiscais, ordens de serviço e empenhos;
  • Documentos das empresas contratadas e processos licitatórios.

A primeira resposta da Prefeitura (protocolo e-SIC nº 2025351870112727) trouxe apenas informações parciais. Nova solicitação foi enviada à SEFIN, mas nenhuma nota fiscal foi encaminhada.0

Risco de irregularidades e acionamento do Ministério Público

“A ausência das notas fiscais inviabiliza o controle social e pode esconder irregularidades como superfaturamento ou pagamentos sem comprovação legal”, alerta o presidente da Água Viva, José Manoel Ferreira Gonçalves.

Diante da omissão reiterada da Prefeitura, a associação solicitou ao Ministério Público do Estado de São Paulo que:

  • Requisite todas as notas fiscais e documentos de contratação;
  • Verifique eventual ausência de licitação ou prestação de contas;
  • Avalie possíveis responsabilidades administrativas ou criminais.

Transparência não é favor — é obrigação

A Água Viva reforça que a divulgação de documentos públicos é dever legal, e não cortesia da Prefeitura. A sociedade civil continua sem acesso aos registros básicos da operação — e seguirá cobrando esclarecimentos e acompanhamento rigoroso das despesas públicas.