Após oito meses de silêncio, Sabesp responde ofício da Água Viva

Documentos revelam falta de transparência, respostas incompletas e painel de dados ainda em construção

A Associação Guarujá Viva – Água Viva recebeu, somente agora em dezembro, a resposta da Sabesp ao Ofício nº 004/2025, enviado em 14 de abril de 2025, no qual a entidade solicitava, com base na Lei de Acesso à Informação (LAI), informações sobre projetos executivos, cronogramas e documentos técnicos relativos às obras de saneamento no município do Guarujá.

A Sabesp demorou 240 dias para responder — oito meses de completo silêncio, em flagrante descumprimento dos prazos da LAI, que determina retorno entre 20 e 30 dias. A entidade avalia o envio como “tardio, insuficiente e incompatível com o nível de transparência exigido por lei”.

Pedido objetivo, resposta burocrática

A Guarujá Viva solicitou:

  • relação completa de projetos executivos, incluindo o da Cava da Pedreira;
  • Os cronogramas detalhados das obras;
  • Documentos técnicos complementares, como plantas, pareceres e estudos ambientais.

A Sabesp respondeu por meio do Ofício H-2991/2025, acompanhado do Ofício H-0036/2025, limitando-se a mencionar genericamente que tais informações estariam “no contrato de concessão” e em “plataformas digitais”.

Nenhum documento técnico solicitado foi efetivamente entregue.

Demora injustificada e fora da lei

A LAI determina que:

  • resposta deve ser dada em até 20 dias,
  • prorrogáveis por mais 10.

Ainda assim, a Sabesp levou oito meses, sem apresentar qualquer justificativa — nem técnica, nem institucional.

CI da Sabesp confirma falhas: painel incompleto, dados preliminares e ausência de documentos técnicos

Além dos ofícios anteriores, a Sabesp enviou a CI nº 60.883/2025, que, em vez de fornecer os dados solicitados, apenas:

  • repete que o Guarujá integra a URAE 1 – Sudeste,
  • reforça o novo Contrato nº 001/2024,
  • e direciona a Associação para um suposto Painel de Acompanhamento, criado em 26/05/2025.

A própria CI admite que o painel:

  • é apenas uma “primeira versão”,
  • possui “informações preliminares”,
  • será atualizado de forma “progressiva”,
  • e que a individualização dos investimentos por município ainda será incorporada futuramente.

Ou seja: o painel citado não entrega hoje os dados solicitados — e sequer está tecnicamente concluído.

A Sabesp também afirma que já havia encaminhado, anteriormente, o Ofício H-0036/2025, listando os contratos de 2025, mas não acrescenta nenhum novo documento técnico.

O que a Sabesp efetivamente entregou

O Ofício H-0036 traz apenas uma lista de contratos e serviços classificados como:

  • Em execução
  • Em contratação
  • Já contratados

Entre eles:

  • obras em elevatórias,
  • ampliação de ETEs,
  • renovação de emissários,
  • expansão de redes,
  • serviços geotécnicos,
  • programas de redução de perdas,
  • implantação de subadutoras,
  • ramais domiciliares (“Se Liga na Rede”),
  • reposição de pavimentos,
  • modernização elétrica,
  • implantação de medidores e telemetria,
  • tubulação CIPP,
  • investimentos em Vicente de Carvalho, Vila Zilda e bairros como Vila Santa Rosa, Vila Carla, Vila Lígia e Jardim Helena Maria.

Mas nenhum desses itens traz:

  • data de início,
  • fase atual,
  • previsão de conclusão,
  • documentação técnica,
  • mapas,
  • estudos ambientais,
  • definição de impactos,
  • prazos por bairro,
  • nem cronogramas completos.

Ou seja: uma listagem sem datas não pode ser considerada cronograma, o que viola diretamente o pedido original.

Projetos relacionados especificamente ao Guarujá (extraídos do H-0036/2025)

Aqui estão somente os projetos que afetam o município:

1. Modernização e ampliação de estações elevatórias e ETEs

  • EPC Vila Zilda – melhorias e ampliação.
  • ETE Vicente de Carvalho – ampliação e melhorias.
  • Modernização de instalações elétricas de elevatórias.

2. Emissário e infraestrutura oceânica

  • Renovação das tubulações do emissário terrestre (DN 900 mm), com tecnologia CIPP.
  • Remanejamento do trecho terrestre do emissário (Túnel JK).

3. Expansão de redes e ligações

  • Coletoras, ligações e elevatórias nos bairros:
    • Vila Santa Rosa
    • Jardim Helena Maria
    • Vila Carla
    • Vila Santo Antônio
    • Vila Lígia
  • Programa “Se Liga na Rede” – ramais intra-domiciliares.

4. Abastecimento de água

  • Subadutora do Sistema Cubatão (implantação).
  • Expansão do sistema de abastecimento para crescimento vegetativo.
  • Renovação da infraestrutura de distribuição (redução de perdas).

5. Serviços operacionais e manutenção

  • Reposição de pavimentos;
  • Manutenção de redes e ramais;
  • Pesquisas de vazamentos não visíveis;
  • Geotécnica, ensaios e televisão de redes;
  • Instalação de medidores e telemetria.

Pontos críticos identificados pela Guarujá Viva

1. A Sabesp não entregou a documentação exigida pela LAI

Nenhum estudo, mapa, parecer ou projeto executivo foi anexado.

2. Não há cronogramas — apenas lista de contratos

O material entregue não contém datas ou fases de execução.

3. Painel citado é incompleto e preliminar

A Sabesp admite que:

  • ainda será atualizado,
  • individualização municipal ainda não existe,
  • não contém todos os investimentos.

4. Atraso ilegal e não justificado

Oito meses sem resposta, sem qualquer explicação.

5. Obras sensíveis não são explicadas

Cava da Pedreira, que motivou parte da solicitação original, sequer é mencionada.

Conclusão: Guarujá segue sem as informações essenciais sobre obras estruturais

Ao final de oito meses:

  • A Sabesp não apresentou o conjunto de documentos pedidos;
  • Não forneceu cronogramas;
  • Não disponibilizou estudos técnicos;
  • Não justificou o atraso;
  • E direcionou respostas para ferramentas e contratos ainda incompletos.

Para a Guarujá Viva, o cenário compromete a transparência e impede a participação social no acompanhamento das obras que afetam diretamente a balneabilidade, o saneamento, a qualidade da água e o futuro urbano do município.

A entidade deverá emitir novo pedido formal cobrando o cumprimento integral da LAI e a disponibilização de todos os documentos previstos na legislação e no próprio contrato de concessão.

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