Balsa colide com embarcações na travessia Guarujá-Bertioga

Portal Os inconfidentes, Carlos Ratton, 28.02.2026

Mais um acidente envolvendo balsas no Litoral de São Paulo. Dessa vez, ocorreu na tarde de quinta-feira (26) na travessia entre Guarujá e Bertioga. A embarcação FB-MF25 colidiu com barcos que estavam próximos ao local de manobra, gerando danos materiais. Uma pessoa registrou o momento da colisão. Não houve feridos.

De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), o incidente ocorreu por volta das 15h30 por conta de rajadas de ventos que impactaram a estabilidade da balsa. Também a força das águas que dificultou a manobra de deslocamento.

A embarcação não transportava usuários no momento, pois estava a caminho de uma manutenção programada. Os danos foram somente materiais e estão sendo analisados pelas equipes técnicas. A balsa FB-MF25 foi retirada de circulação para reparos. Apesar do susto, a operação da travessia não foi prejudicada.

No momento, o sistema funciona com fluxo normal. O tempo de espera continua sendo de aproximadamente 20 minutos em ambos os lados.

Rebocadores

Nem sob a mira do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), que abriu Inquérito Civil ano passado para apurar sua eficiência, a travessia entre os municípios de Guarujá e Bertioga continua operando com rebocadores, que conduzem balsas sem motores.

Quando a maré baixa e a travessia para. Isso porque a hélice e o fundo do rebocador tocam na lama próxima às margens que leva veículos e pedestres ao atracadouro no Canal de Bertioga.

O resultado todos conhecem há anos. Usuários praticamente impedidos de trabalhar, estudar e receber tratamento de saúde e fazer outras atividades importantes do dia a dia. O Governo de São Paulo já prometeu mudar o sistema, mas há anos nada é feito.

E não há muita esperança de que o sistema vai mudar nos próximos meses. Segundo a Secretaria de Parcerias e Investimentos (SPI), só a partir do terceiro ano da concessão, é que a empresa vencedora da licitação vai oferecer novas embarcações.

E tem mais. Somente até o sétimo ano, toda a frota estará integralmente renovada. Portanto, as atuais balsas devem continuar operando até meados de 2029.

Promessa furada

O Governo Tarcísio de Freitas (Republicanos-foto) prometeu, e nunca cumpriu, um projeto de drenagem no Canal de Bertioga para o aumento do calado para a facilitação do tráfego e a atracação das barcas.

Enquanto isso, o MP-SP abriu um inquérito a partir de manifestações da Associação Guarujá Viva – AGUAVIVA, representando a sociedade civil, que confirmou longos tempos de espera e dificuldades recorrentes enfrentadas por moradores, trabalhadores e turistas que dependem diariamente da travessia.

Em resposta ao Ministério Público, a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (SEMIL) encaminhou uma Nota Técnica com dados operacionais do serviço.

Para a entidade, fatores como alta demanda, maré e condições climáticas não são exceções, mas características previsíveis da travessia, que precisam ser consideradas no planejamento do serviço público.

“A travessia Guarujá–Bertioga é um serviço público essencial, que impacta diretamente a mobilidade regional e a vida cotidiana da população. Nosso papel é contribuir para que esse serviço seja eficiente, transparente e compatível com a realidade de quem o utiliza todos os dias”, destaca o Engenheiro José Manoel Ferreira Gonçalves, presidente da Água Viva.

Abaixo-assinado

Já houve abaixo-assinados com a reivindicação da retirada dos rebocadores e o aumento do calado do canal para facilitar as atracações das balsas. 

O Governo do Estado de São Paulo já revelou que o sistema de balsas permanece integralmente sob responsabilidade do poder concedente (Estado), uma vez que, embora o certame já tenha sido homologado e adjudicado, o contrato ainda não foi assinado.

“A concessionária Acqua Vias SP somente assumirá a operação do sistema após a assinatura contratual e a conclusão da fase de transição operacional, nos termos previstos no edital e no contrato”.

A concessão do sistema de travessias hídricas, que inclui as ligações Santos–Guarujá e Guarujá–Bertioga, garante a isenção total de tarifa para pedestres, estejam eles acompanhados ou não de bicicletas. A política tarifária segue sob responsabilidade do Estado, sem alteração nos benefícios já existentes.

O contrato prevê investimento de R$ 2,5 bilhões para a renovação completa da frota, com a substituição das atuais balsas movidas a diesel por mais de 40 embarcações 100% elétricas em todo o sistema concedido.

Após a assinatura do contrato, e dentro do prazo legal após a homologação, terão início as melhorias operacionais. Já no primeiro ano da concessão, estão previstas intervenções nos terminais, com reforma e ampliação das áreas de espera, além da implantação de novos sistemas tecnológicos de gestão e cobrança automática, com foco no aumento da capacidade, na redução das filas e na melhoria da experiência dos usuários.

Todas as etapas do contrato, incluindo a entrega das novas embarcações, a execução das obras e a qualidade do serviço prestado, serão acompanhadas e fiscalizadas pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), conforme os prazos, metas e padrões definidos em contrato.