Fiscalização fragmentada ameaça credibilidade do selo Bandeira Azul no Tombo  

Denúncia de possível lançamento irregular reacende alerta sobre risco ao selo Bandeira Azul na Praia do Tombo

Guarujá (SP), 07 de janeiro de 2026 – A Associação Guarujá Viva – Água Viva formalizou, no final de dezembro, uma série de medidas institucionais e jurídicas para apuração de possível lançamento irregular de esgoto sanitário na Praia do Tombo, em Guarujá (SP), após o registro de escoamento de água escura e com odor característico na faixa de areia e no mar, em área certificada com o selo internacional Bandeira Azul.

Os registros indicam que o material pode estar sendo lançado por meio da rede de drenagem urbana, hipótese compatível com a existência de ligações clandestinas de esgoto em galerias pluviais, mecanismo conhecido por conduzir efluentes diretamente ao ambiente marinho.

Providências institucionais adotadas

Diante da gravidade dos indícios, a Associação protocolou representações, comunicações formais e notícias-crime junto a diversos órgãos competentes, entre eles a Delegacia de Polícia de Proteção ao Meio Ambiente, os Ministérios Públicos Estadual e Federal, a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (SEMIL), a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMAM) e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Resposta da Polícia Militar Ambiental

Em resposta oficial à denúncia, a Polícia Militar do Estado de São Paulo, por meio do 1º Pelotão Marítimo da 5ª Companhia do 3º Batalhão de Polícia Militar Ambiental (3º BPAmb), informou que recebeu a comunicação formal da entidade.

Segundo a Mensagem nº 3BPAmb-002/510/26, datada de 5 de janeiro de 2026, assinada pelo Subtenente PM Wlamir dos Santos Antonietti, encarregado administrativo do referido pelotão, a denúncia relata possível descarte irregular de água contaminada na faixa de areia da Praia do Tombo.

Conforme o documento, o batalhão encaminhou o caso à CETESB – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, órgão responsável pela fiscalização ambiental e pela análise da qualidade da água e do solo no local denunciado.

Limites da apuração baseada apenas na balneabilidade

De acordo com avaliação técnica da Associação, o encaminhamento exclusivo à CETESB evidencia uma confusão recorrente entre os diferentes papéis institucionais envolvidos na gestão ambiental costeira.

A análise de balneabilidade realizada pela CETESB baseia-se na média da colimetria das últimas cinco semanas, metodologia adequada para classificar a água como própria ou imprópria para banho, mas insuficiente para identificar a origem imediata de aportes pontuais ou difusos de esgoto, especialmente aqueles que chegam ao mar por meio da rede pluvial.

A identificação da fonte do problema exige ações específicas de fiscalização conhecidas como Operação Caça-Esgoto, que dependem da atuação conjunta:

  • do Município, no exercício do poder de polícia administrativa;
  • e da Sabesp, responsável por testes técnicos capazes de identificar ligações clandestinas de esgoto na rede de drenagem.

Recorrência e histórico

Casos semelhantes já foram objeto de apuração pelo Ministério Público do Estado de São Paulo em dezembro do ano anterior, quando foram solicitadas fiscalizações e relatórios sobre ligações irregulares na região do Tombo. À época, o selo Bandeira Azul chegou a ser temporariamente retirado até a averiguação dos fatos.

Para a Associação, a repetição dos registros indica a ausência de um programa permanente, sistemático e preventivo de fiscalização, condição essencial para a manutenção de certificações ambientais internacionais.

Posicionamentos oficiais

Segundo apurado junto aos órgãos citados, a Sabesp informou que a situação registrada não teria relação com o sistema de esgotamento sanitário operado pela companhia, afirmando que suas redes funcionam normalmente e que a gestão da drenagem pluvial é de responsabilidade municipal.

Ainda segundo informações obtidas, a Prefeitura de Guarujá declarou que o escoamento observado decorre do sistema de águas pluviais e que o monitoramento semanal da qualidade da água da Praia do Tombo atende aos critérios exigidos pelo Programa Bandeira Azul.

A Associação Guarujá Viva – Água Viva seguirá acompanhando os desdobramentos do caso e manterá a sociedade informada sobre as apurações em curso.