GUARUJÁ SEM COLETA SELETIVA

Enquanto a Prefeitura de Guarujá discute um novo contrato milionário para a gestão do lixo, um dado básico veio à tona: a cidade está, neste momento, sem coleta seletiva.

Em 04 de março de 2026, a Associação Guarujá Viva (AGUAVIVA), por meio da Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011), solicitou esclarecimentos objetivos: o serviço de coleta de resíduos recicláveis está em funcionamento? Existe contrato vigente para sua execução?

Em resposta, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, SEMAM, foi direta: O serviço está suspenso.

Segundo a própria SEMAM, o contrato anterior (nº 45/2020) foi encerrado em 27 de fevereiro de 2026, após sucessivos aditamentos, não sendo mais possível sua prorrogação conforme a Lei nº 14.133/2021. Desde então, o município permanece sem contrato vigente para a coleta seletiva. A única informação oficial é que um novo processo de contratação está “em andamento”, sem qualquer prazo definido ou previsão concreta para a celebração de um novo contrato e retomada do serviço.

A constatação é grave. Não se trata de uma falha pontual, mas de uma interrupção total de um serviço essencial à política ambiental urbana.

“Sem coleta seletiva, recicláveis são descartados como lixo comum. O volume destinado a aterros aumenta, as cooperativas perdem sua fonte de renda e a cidade retrocede em sustentabilidade. E tudo isso ocorre sem comunicação clara à população, sem medidas emergenciais conhecidas e sem transparência ativa por parte da administração”, declara o Eng. José Manoel Ferreira Gonçalves, presidente da Água Viva.

O mais alarmante é o contexto em que essa suspensão ocorre. No mesmo momento em que o serviço básico desaparece, a Prefeitura tenta avançar com um novo edital de limpeza urbana que ultrapassa R$ 200 milhões por ano — um processo já marcado por questionamentos técnicos, ausência de justificativas consistentes e dúvidas sobre sua economicidade.

A contradição é inevitável: falta o básico, sobra custo. Não há contrato para manter a coleta seletiva, mas há pressa para aprovar um modelo mais caro e complexo.

A resposta oficial revela mais do que uma suspensão temporária. Revela ausência de planejamento. Revela descontinuidade administrativa. Revela uma gestão que não conseguiu garantir sequer a transição entre contratos de um serviço essencial.

A transparência, nesse cenário, não foi apenas reduzida. Foi interrompida junto com o serviço.

A Associação Guarujá Viva seguirá acompanhando o caso e cobrando respostas. Porque quando a administração não antecipa problemas previsíveis e não garante continuidade de serviços essenciais, o prejuízo não é técnico — é direto à população.

E, neste caso, ele já começou.