Mau cheiro na areia, silêncio no poder público

AGUAVIVA cobra explicações e aciona Ministério Público e CETESB após ocorrência na Praia das Astúrias

A Associação Guarujá Viva (AGUAVIVA) apresentou suas manifestações junto ao Ministério Público do Estado de São Paulo e à CETESB após o aparecimento de grande quantidade de material escuro, de aspecto orgânico e odor forte na faixa de areia da Praia das Astúrias, em Guarujá, na manhã de 28 de março de 2026.

Segundo relatos e registros feitos pela entidade, o material apresentava coloração escura, aparência de matéria orgânica e odor acentuado, semelhante à decomposição, gerando preocupação entre moradores, frequentadores e comerciantes da região. Até o momento, não há confirmação técnica definitiva sobre a origem ou composição do material, o que reforça a necessidade de apuração especializada.

Atuação junto ao Ministério Público (GAEMA)

A AGUAVIVA encaminhou o Ofício nº 579/2026 ao Ministério Público do Estado de São Paulo, relatando a ocorrência e solicitando a apuração dos fatos, com base no direito constitucional ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e na legislação ambiental vigente. O Ministério Público informou que o atendimento nº 0278.0000194/2026 foi juntado ao expediente PAA nº 0278.0765/2025, que trata especificamente de impactos ambientais costeiros, incluindo possíveis efeitos de dragagens, contaminações e eventuais omissões do poder público. O procedimento segue em andamento sob análise do Promotor de Justiça Dr. Osmair Chamma Junior.

Resposta da CETESB

Em resposta ao segundo chamado feito pela AGUAVIVA, a CETESB apresentou esclarecimentos preliminares sobre a natureza do material observado na Praia das Astúrias. Em manifestação registrada em 09/04/2026, assinada por Raquel Godoi Silva dos Santos, o órgão afirmou:

“Agradecemos seu contato e informamos que, com relação à ocorrência na Praia das Astúrias, o material depositado na areia assemelha-se à floração de microalgas, que é o crescimento rápido e descontrolado de algas, em geral diatomáceas, muito comum em determinadas épocas do ano.

Nossa orientação é para que seja mantido contato com a municipalidade, para que a limpeza seja feita corretamente e o material recolhido seja encaminhado para destinação final adequada, e não somente o espalhamento do material na areia da praia.”

A partir dessa manifestação, a AGUAVIVA reforça a necessidade de atuação diligente do Município de Guarujá na limpeza adequada da faixa de areia e na destinação correta do material recolhido, bem como a importância de monitoramento contínuo por parte dos órgãos ambientais.

O que são sedimentos marinhos?

Sedimentos marinhos são, em termos simples, o material solto que se acumula no fundo do mar e nas áreas costeiras: grãos de areia, lama (silte e argila), restos de conchas e organismos, além de partículas trazidas por rios e pelo vento. Em condições naturais, esses sedimentos fazem parte do equilíbrio do litoral, ajudando a formar e manter as praias e servindo de habitat para muitas espécies.

Especialistas alertam, porém, que quando esses sedimentos estão contaminados por esgoto, produtos químicos, metais pesados ou resíduos de atividades portuárias e industriais, ou quando são remexidos de forma inadequada (por dragagens e obras costeiras, por exemplo), eles podem levar poluição para a água e para a faixa de areia, afetando a saúde do ambiente marinho e da população. Por isso, órgãos ambientais recomendam que, sempre que houver material com odor forte, coloração incomum ou aspecto suspeito, sejam feitas análises técnicas antes de qualquer espalhamento na praia e que, se necessário, o material seja removido de forma adequada e encaminhado para destinação segura, em vez de simplesmente ser redistribuído na areia.

Posicionamento da AGUAVIVA

O Eng. José Manoel Ferreira Gonçalves, presidente da AGUAVIVA, destaca que a associação está em contato direto com especialistas da área ambiental para subsidiar tecnicamente as ações e cobranças junto aos órgãos públicos:

“Estamos realizando contato com especialistas em oceanografia, biologia marinha e gestão costeira para garantir que as informações que levamos aos órgãos públicos sejam precisas e fundamentadas. Nosso objetivo é assegurar que a população tenha respostas claras e que o meio ambiente seja protegido de forma efetiva.”

A AGUAVIVA segue acompanhando o andamento do procedimento junto ao Ministério Público, as providências da Prefeitura e da CETESB, e coloca-se à disposição para fornecer imagens, vídeos e informações adicionais sobre o ocorrido. A entidade reforça a importância da participação da comunidade na fiscalização e no registro de episódios semelhantes, contribuindo para a defesa do litoral de Guarujá.