Operação Verão 2026

ÁGUA VIVA cobra transparência e encaminha pedido ao Governo do Estado após negativa da Prefeitura de Guarujá

Quem circula pelas praias de Guarujá neste verão certamente já se deparou com peças publicitárias, vídeos institucionais e anúncios oficiais da chamada “Operação Verão 2026”, apresentada como uma ação voltada à segurança dos banhistas, com destaque para tecnologia, inovação e reforço no salvamento marítimo.

Mas, afinal, quanto está sendo investido em publicidade?
Quais equipamentos de salvamento estão disponíveis nas praias?
Quantos guarda-vidas estão efetivamente em atuação?
E quanto foi gasto com treinamento desses profissionais?

Essas são perguntas legítimas — e garantidas por lei.

Com base nesse direito, a ÁGUA VIVA – Associação Guarujá Viva, por meio de seu representante, José Manoel Ferreira Gonçalves, apresentou, em 28 de dezembro de 2025, pedido formal de acesso à informação à Prefeitura de Guarujá, com fundamento na Lei nº 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação – LAI).

O que foi solicitado ao Município

O pedido buscou esclarecer, especialmente em relação à Praia das Astúrias:

  • os gastos com publicidade e marketing da Operação Verão 2026, inclusive produção audiovisual e uso de drones;
  • os investimentos em equipamentos básicos de salvamento, como rádios, pranchas e desfibriladores (DEA);
  • o contingente real de guarda-vidas em atuação em 27/12/2025, comparado ao número oficialmente anunciado;
  • e os custos do treinamento dos Guarda-Vidas Temporários, bem como os equipamentos de suporte disponíveis.

A resposta da Prefeitura

Em 12 de janeiro de 2026, a Prefeitura respondeu informando que não detém responsabilidade sobre as informações solicitadas, atribuindo a competência ao Governo do Estado de São Paulo, especialmente no que se refere a:

  • gastos publicitários;
  • investimentos em equipamentos;
  • contingente de pessoal;
  • treinamento dos guarda-vidas.

Nada foi informado, tampouco esclarecido, sequer em relação aos 25 Guarda-Vidas Temporários (GVTs), contratados por meio de processo seletivo realizado pela própria Prefeitura de Guarujá, os quais, segundo informação divulgada em site oficial do Município, iniciaram o curso de formação em 6 de outubro.

A resposta foi assinada pelo Diretor de Planejamento e Gestão da SEDECON, sem a apresentação dos dados solicitados.

Pedido reapresentado ao Governo do Estado

Diante dessa manifestação do Município, a ÁGUA VIVA reencaminhou o pedido, em 13 de janeiro de 2026, à Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo, por meio do Sistema Eletrônico do Serviço de Informação ao Cidadão (e-SIC estadual).

O novo requerimento reafirma o fundamento constitucional e legal do pedido, destaca o interesse público envolvido — segurança da vida humana, uso de recursos públicos e transparência administrativa — e solicita que o Estado informe, de forma clara e documentada, os dados relativos à Operação Verão 2026 no Guarujá.

Transparência não é favor, é dever

Embora a Operação Verão seja amplamente divulgada como ação voltada à proteção da população e dos turistas, a ausência de informações objetivas e acessíveis sobre custos, estrutura e efetividade gera dúvidas legítimas.

A ÁGUA VIVA seguirá acompanhando o caso e informará a sociedade assim que houver resposta do Governo do Estado, reforçando que transparência, especialmente em políticas públicas de segurança, não é opcional — é obrigação legal.

Todo cidadão tem o direito de saber como e onde são aplicados os recursos públicos.
Fiscalizar é um ato de cidadania.