Associação acompanha os problemas de abastecimento e saneamento há mais de dois anos, com manifestações públicas, cobranças administrativas, acionamento de órgãos de controle e ação judicial contra a Sabesp e a Prefeitura de Guarujá.
A criação de um grupo de crise pela Prefeitura de Guarujá para acompanhar, em conjunto com a Sabesp, os problemas de abastecimento de água no município levou a Associação Guarujá Viva – ÁGUA VIVA a relembrar um histórico de atuação que teve início em 2024.
Em vídeo publicado nesta quarta-feira (5), o presidente da associação, Eng. José Manoel Ferreira Gonçalves, questiona o momento em que a medida foi adotada. “Agora? Só agora, prefeito?”
A pergunta resume o posicionamento da entidade. Para a ÁGUA VIVA, a criação de um grupo de crise pode representar uma iniciativa importante, mas chega após um longo período de alertas, reclamações da população e diversas medidas adotadas pela associação para chamar a atenção das autoridades para a situação do abastecimento e do saneamento em Guarujá.
Segundo a entidade, os problemas relacionados à falta de água, baixa pressão na rede, vazamentos, desperdício de água tratada e falhas na prestação do serviço não surgiram recentemente. Ao longo dos últimos dois anos, a associação afirma ter reunido documentos, recebido relatos de moradores, protocolado ofícios, apresentado representações a órgãos de controle, promovido mobilizações públicas e recorrido ao Poder Judiciário.
“Guarujá convive há anos com falhas no abastecimento de água, e a ÁGUA VIVA vem documentando essa realidade desde 2024. A criação de um grupo de crise pode ser um passo importante, mas ela também evidencia que medidas preventivas poderiam ter sido adotadas antes. Água é um serviço público essencial. Não pode depender de ações emergenciais quando a população já está sofrendo as consequências. O que Guarujá precisa é de planejamento permanente, investimentos, fiscalização efetiva e transparência.”
Eng. José Manoel Ferreira Gonçalves
Presidente da Associação Guarujá Viva – ÁGUA VIVA
2024: os primeiros alertas e a mobilização pública
A atuação da ÁGUA VIVA começou a ganhar visibilidade em 2024, quando a entidade passou a reunir relatos de moradores sobre interrupções frequentes no abastecimento, baixa pressão na rede e problemas relacionados ao saneamento.
Naquele período, a associação também realizou uma manifestação pública em frente à unidade da Sabesp em Guarujá. O ato teve como objetivo cobrar providências da concessionária, pedir maior transparência sobre os investimentos e chamar a atenção para os impactos da falta de água sobre moradores, comerciantes e atividades econômicas do município.
Para a entidade, a mobilização buscava demonstrar que as reclamações não eram casos isolados, mas refletiam uma preocupação crescente da população com a qualidade dos serviços prestados.
2025: as cobranças passaram a ser formalizadas
No início de 2025, a associação ampliou sua atuação institucional.
Foram encaminhados ofícios e manifestações administrativas à Prefeitura de Guarujá e à Sabesp, apontando preocupações relacionadas à infraestrutura do sistema de abastecimento, à necessidade de investimentos, à fiscalização do contrato de concessão e à adoção de medidas preventivas para reduzir as interrupções no fornecimento de água.
A entidade também defendeu que a população tivesse acesso a informações mais claras sobre obras, cronogramas, investimentos e ações voltadas à melhoria do sistema.
Na avaliação da ÁGUA VIVA, o abastecimento de água não pode ser tratado apenas de forma reativa, quando a crise já está instalada. Por se tratar de um serviço essencial, exige planejamento permanente, manutenção preventiva e capacidade de resposta compatível com as características de Guarujá, cuja demanda aumenta significativamente durante os períodos de temporada.
Transparência também entrou na pauta
Ainda em 2025, a associação passou a acompanhar iniciativas relacionadas ao saneamento, entre elas a Operação Caça-Esgoto, promovida pela Sabesp.
A entidade solicitou informações sobre o cronograma das ações, quantidade de inspeções realizadas, irregularidades identificadas, providências adotadas e resultados obtidos.
Segundo a associação, ações dessa natureza precisam ser acompanhadas de informações objetivas que permitam à sociedade avaliar sua efetividade.
A defesa da transparência passou a integrar uma das principais linhas de atuação da entidade, tanto em relação às ações da concessionária quanto às respostas apresentadas pelo Poder Público.
Vazamentos e desperdício de água também motivaram representações
Outro tema acompanhado pela ÁGUA VIVA foi o desperdício de água tratada decorrente de vazamentos na rede de abastecimento.
A associação encaminhou representações aos órgãos competentes solicitando a apuração dos fatos e a adoção de providências.
Na avaliação da entidade, perdas de água tratada representam não apenas desperdício de um recurso essencial, mas também indicam a necessidade de melhorias na manutenção da infraestrutura e na eficiência operacional do sistema.
Da cobrança administrativa à ação judicial
Com a continuidade das reclamações e diante das respostas consideradas insuficientes pela associação, a ÁGUA VIVA decidiu recorrer ao Poder Judiciário.
Foi ajuizada a ação nº 1011538-97.2025.8.26.0223 contra a Prefeitura de Guarujá e a Sabesp, buscando medidas voltadas à regularização do abastecimento e ao cumprimento das obrigações relacionadas à prestação do serviço.
Segundo a entidade, a judicialização foi consequência de um processo iniciado muito antes, marcado por tentativas de diálogo institucional, envio de documentos e acionamento dos órgãos de fiscalização.
Durante o andamento da ação, a associação também apresentou manifestação rebatendo argumentos apresentados pelo Município e reiterando que os problemas continuavam sendo registrados em diferentes regiões da cidade.
Comunicação pública e participação da população
Paralelamente às medidas administrativas e judiciais, a ÁGUA VIVA passou a utilizar seus canais institucionais para documentar a evolução da crise.
Relatos enviados por moradores, fotografias, vídeos, documentos protocolados, respostas recebidas dos órgãos públicos e notícias sobre o tema passaram a compor um acervo utilizado pela entidade para acompanhar a situação do abastecimento em Guarujá.
Segundo a associação, esse trabalho busca dar visibilidade a problemas frequentemente enfrentados de forma individual pelos consumidores e contribuir para que sejam analisados sob a perspectiva do interesse coletivo.
Continue denunciando: https://guaruja.org.br/aguaviva/denuncias/
Atuação perante órgãos de controle
Ao longo desse período, a entidade também encaminhou representações e manifestações a órgãos de fiscalização, solicitando o acompanhamento institucional de questões relacionadas ao abastecimento de água e ao saneamento.
Entre os temas levados aos órgãos competentes estiveram falhas no abastecimento, desperdício de água tratada, necessidade de fiscalização contratual e acompanhamento das providências adotadas pela concessionária.
Em 2026, a atuação da associação também alcançou a comunicação institucional da Sabesp. A entidade apresentou manifestação ao Ministério Público e posteriormente protocolou representação no Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR), questionando campanha publicitária da concessionária durante o período em que moradores continuavam relatando dificuldades de abastecimento.
Segundo a ÁGUA VIVA, a comunicação institucional deve guardar compatibilidade com a realidade vivenciada pelos consumidores e observar princípios de transparência, clareza e respeito ao direito à informação.
A crise continuou em 2026
Mesmo após o ajuizamento da ação judicial, a associação continuou recebendo relatos de falta de água em diferentes bairros do município.
Os registros enviados por moradores indicavam interrupções prolongadas no abastecimento, baixa pressão na rede, demora no atendimento e dificuldades para obtenção de informações sobre a normalização do serviço.
Continue denunciando: https://guaruja.org.br/aguaviva/denuncias/
Um dos episódios que ampliou o debate público envolveu a divulgação de informações segundo as quais a falta de água teria dificultado o combate a um incêndio que resultou na morte de uma criança.
A associação ressalta que a apuração das circunstâncias e de eventuais responsabilidades compete às autoridades responsáveis, mas considera que o episódio reforça a importância de tratar o abastecimento de água como um serviço essencial, diretamente relacionado à saúde, à segurança e à proteção da população.
Em junho, a ação judicial teve novo desdobramento
Em junho de 2026, a discussão sobre a crise de abastecimento ganhou um novo capítulo no processo que tramita na Vara da Fazenda Pública da Comarca de Guarujá (Processo nº 1011538-97.2025.8.26.0223).
Após o Município apresentar sua contestação, a ÁGUA VIVA protocolou manifestação rebatendo os argumentos da Prefeitura e defendendo o prosseguimento da ação. A entidade sustentou que a situação discutida no processo não se confundia com demandas judiciais anteriores, uma vez que os problemas de abastecimento continuavam sendo registrados e, segundo a associação, haviam se agravado ao longo do tempo.
Na manifestação, a entidade também contestou os pedidos de extinção do processo apresentados pelo Município e reafirmou que a ação busca garantir a adequada prestação do serviço de abastecimento de água e a efetiva fiscalização do contrato de concessão.
Para a ÁGUA VIVA, esse episódio demonstrou que, mesmo enquanto a discussão judicial seguia em andamento, os problemas permaneciam afetando a população.
Leia também: https://guaruja.org.br/aguaviva/agua-viva-contesta-municipio-de-guaruja-em-acao-sobre-falhas-no-abastecimento-de-agua
Pouco mais de um mês depois, a Prefeitura anunciou a criação de um grupo de crise para acompanhar a situação junto à Sabesp, medida que motivou o vídeo publicado pela associação questionando por que uma atuação coordenada não havia sido adotada anteriormente.
O anúncio do grupo de crise
Foi nesse contexto que a Prefeitura de Guarujá anunciou a criação de um grupo de crise para acompanhar, em conjunto com a Sabesp, a situação do abastecimento.
Para a ÁGUA VIVA, a iniciativa poderá contribuir para a busca de soluções, desde que seja acompanhada de medidas concretas, definição de responsabilidades, cronogramas, metas e mecanismos de acompanhamento pela sociedade.
A entidade afirma que continuará acompanhando o funcionamento do grupo e espera esclarecimentos sobre pontos como:
- quais órgãos participarão da iniciativa;
- quais serão suas atribuições;
- quais medidas emergenciais serão adotadas;
- quais investimentos e obras estão previstos;
- quais prazos foram estabelecidos;
- como a população poderá acompanhar os resultados.
Na avaliação da associação, a efetividade da medida será demonstrada pelas ações implementadas e pela redução dos problemas enfrentados pelos moradores, e não apenas pelo anúncio de sua criação.
O que a ÁGUA VIVA defende
Ao longo de sua atuação, a associação tem sustentado que a solução para a crise depende de medidas estruturais e permanentes.
Entre os principais pontos defendidos pela entidade estão o planejamento de longo prazo para o sistema de abastecimento, investimentos compatíveis com a demanda do município, manutenção preventiva da rede, redução das perdas de água tratada, fiscalização efetiva da prestação do serviço, transparência na divulgação de informações e acompanhamento público das obras e metas assumidas.
Para a associação, cidades com forte variação populacional ao longo do ano, como Guarujá, precisam contar com planejamento capaz de antecipar períodos de maior consumo e reduzir os riscos de desabastecimento.
Uma atuação construída ao longo do tempo
Ao relembrar esse histórico, a associação reforça a principal indagação apresentada no vídeo que divulgou em suas redes sociais oficiais:
“Se a situação exigia a criação de um grupo de crise, por que medidas de planejamento, prevenção e acompanhamento mais efetivas não foram adotadas antes?”
A ÁGUA VIVA informa que continuará acompanhando os desdobramentos da crise, o andamento da ação judicial e as providências anunciadas pela Prefeitura e pela Sabesp, mantendo o monitoramento dos relatos encaminhados pela população e cobrando soluções que garantam a regularidade do abastecimento de água em Guarujá.
Documentos e referências da atuação da ÁGUA VIVA
Página institucional da Associação Guarujá Viva – ÁGUA VIVA
https://guaruja.org.br/aguaviva/
Nossas ações – Associação Guarujá Viva – ÁGUA VIVA
https://guaruja.org.br/aguaviva/category/nossas-acoes/
ÁGUA VIVA solicita rescisão de contrato com a Sabesp por deficiências no saneamento em Guarujá
https://guaruja.org.br/aguaviva/aguaviva-solicita-rescisao-de-contrato-com-sabesp-por-deficiencias-no-saneamento-em-guaruja/
ÁGUA VIVA cobra transparência na Operação Caça-Esgoto
https://guaruja.org.br/aguaviva/nossas-acoes/aguaviva-cobra-transparencia-na-operacao-caca-esgoto/
ÁGUA VIVA alerta para falhas no saneamento do Guarujá
https://guaruja.org.br/aguaviva/nossas-acoes/agua-viva-alerta-para-falhas-no-saneamento-do-guaruja/
Falta de transparência e respostas evasivas: ÁGUA VIVA critica postura da SEMAM sobre pedido relacionado à Sabesp
https://guaruja.org.br/aguaviva/falta-de-transparencia-e-respostas-evasivas-agua-viva-critica-postura-da-semamsobre-pedido-de-suspensao-contratual-com-a-sabesp/
Sabesp: Pouca Água e Muito Descaso
https://guaruja.org.br/aguaviva/sabesp-pouca-agua-e-muito-descaso/
Carta aberta à população de Guarujá sobre a Pedreira e o abastecimento de água
https://guaruja.org.br/aguaviva/carta-aberta-a-populacao-de-guaruja-sobre-a-pedreira-e-o-abastecimento-de-agua/
Falta de água escancara omissão da Sabesp e silêncio preocupante da Prefeitura de Guarujá
https://guaruja.org.br/aguaviva/falta-de-agua-escancara-omissao-da-sabesp-e-silencio-preocupante-da-prefeitura-de-guaruja/
Justiça é acionada contra Sabesp e Prefeitura por crise crônica de água no Guarujá
https://guaruja.org.br/aguaviva/justica-e-acionada-contra-sabesp-e-prefeitura-por-crise-cronica-de-agua-no-guaruja/
Um ano após surto de virose, Guarujá sofre com falta d’água e esgoto no mar
https://guaruja.org.br/aguaviva/um-ano-apos-surto-de-virose-guaruja-sofre-com-falta-dagua-e-esgoto-no-mar/
Sabesp teria usado influenciadores durante crise hídrica; ÁGUA VIVA aciona o Ministério Público
https://guaruja.org.br/aguaviva/sabesp-teria-usado-influenciadores-durante-crise-hidrica-agua-viva-aciona-o-ministerio-publico/
CONAR abre processo contra campanha da Sabesp e expõe contradições em meio à crise hídrica na Baixada Santista
https://guaruja.org.br/aguaviva/conar-abre-processo-contra-campanha-da-sabesp-e-expoe-contradicoes-em-meio-a-crise-hidrica-na-baixada-santista/
ÁGUA VIVA contesta Município de Guarujá em ação sobre falhas no abastecimento de água
https://guaruja.org.br/aguaviva/agua-viva-contesta-municipio-de-guaruja-em-acao-sobre-falhas-no-abastecimento-de-agua/
Instagram oficial da ÁGUA VIVA
https://www.instagram.com/aguavivaguaruja/