Jundu não é o problema: vegetação nativa protege as praias e ajuda a manter o equilíbrio ambiental

Você já ouviu dizer que a presença de ratos na praia estaria ligada à vegetação conhecida como jundu?

Essa ideia tem circulado em algumas conversas sobre a situação da orla, mas é importante esclarecer que essa associação é um MITO. Na realidade, os roedores não estão ligados à vegetação da restinga; sua presença tem causas diretamente relacionadas ao ambiente urbano e à forma como a orla é gerida.

O jundu é uma vegetação rasteira nativa da restinga, típica das praias brasileiras e essencial para a preservação do ambiente costeiro. Ele desempenha funções fundamentais, como fixar a areia, proteger a praia contra erosões e ressacas e contribuir para o equilíbrio do ecossistema local, funcionando como uma verdadeira barreira natural de proteção da orla.

Apesar de sua importância ecológica, o jundu tem sido progressivamente ameaçado pela expansão urbana. Ao longo dos anos, grandes áreas dessa vegetação foram removidas para dar lugar à construção de ruas, estradas, casas, prédios e quiosques. A falta de conhecimento da população sobre o papel ambiental da restinga também contribui para sua degradação, tornando essa vegetação ainda mais vulnerável.

Por esse motivo, medidas de proteção passaram a ser adotadas. A proibição de carros na praia, por exemplo, tem justamente o objetivo de evitar danos ao jundu e à vegetação de restinga. Da mesma forma, placas que orientam as pessoas a não pisarem em determinadas áreas geralmente indicam locais onde estão sendo realizados projetos de recuperação ambiental.

Além disso, é importante esclarecer que a presença eventual de roedores em áreas da orla não está relacionada ao jundu, mas principalmente a fatores urbanos, como o descarte inadequado de lixo, restos de alimentos deixados na areia, falhas na limpeza pública e problemas de infraestrutura, que acabam atraindo animais oportunistas.

Atualmente, o jundu é protegido por legislação ambiental, e qualquer dano causado a essa vegetação sem autorização dos órgãos competentes pode e deve ser denunciado. Por isso, quando você encontrar esse “mato” na praia, vale lembrar que ele é um importante aliado da natureza, e sua presença indica que aquele ambiente costeiro ainda mantém condições de equilíbrio ecológico e preservação.

Para a Associação ÁguaViva, o debate precisa ser conduzido com base em informação ambiental responsável e conhecimento técnico sobre os ecossistemas costeiros.

“O jundu é uma vegetação nativa da restinga com papel ecológico estratégico na dinâmica das praias. Ele atua como um sistema natural de proteção costeira, fixando a areia, reduzindo os efeitos da erosão e contribuindo para a estabilidade do ambiente litorâneo. Quando se observa a presença de roedores na orla, isso normalmente está associado a fatores urbanos, como falhas na gestão de resíduos, descarte inadequado de lixo e restos de alimentos na praia. O jundu não é a causa desse problema, ao contrário, é parte fundamental da proteção e do equilíbrio ambiental das nossas praias”, afirma José Manoel Ferreira Gonçalves, presidente da ÁguaViva

A entidade reforça que a proteção da vegetação de restinga é parte fundamental da preservação do litoral. Ao mesmo tempo, é necessário fortalecer políticas de limpeza urbana, educação ambiental e gestão adequada de resíduos, para garantir uma orla saudável tanto para a população quanto para o meio ambiente.

Cuidar da praia significa preservar a natureza e também ampliar a responsabilidade coletiva sobre o espaço público. Somente com informação correta, participação da sociedade e ações integradas será possível manter o equilíbrio do nosso litoral.

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