Você que utiliza a travessia Guarujá–Bertioga, como avalia a eficiência do serviço no seu dia a dia?
A Associação Guarujá Viva, Água Viva, informa a comunidade sobre o andamento do Inquérito Civil nº 0684/25, instaurado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) para apurar a eficiência da travessia de balsa entre Guarujá e Bertioga.
O procedimento foi aberto a partir de manifestações da Água Viva, representando a sociedade civil, que apontaram longos tempos de espera e dificuldades recorrentes enfrentadas por moradores, trabalhadores e turistas que dependem diariamente da travessia.
Em resposta ao Ministério Público, a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (SEMIL) encaminhou uma Nota Técnica com dados operacionais do serviço. Segundo o documento, o tempo médio do ciclo completo da travessia — incluindo espera, embarque, deslocamento e desembarque — teria sido de aproximadamente 30 minutos em julho de 2025, período de alta demanda. A SEMIL também reconhece que, em alguns casos, os tempos ultrapassaram 40 minutos, atribuindo esses episódios a fatores como maré, vento, tráfego no canal e aumento do fluxo de veículos.
A Associação Guarujá Viva apresentou manifestação formal ao MPSP destacando que o uso exclusivo de médias estatísticas não reflete, de forma adequada, a experiência real dos usuários. Para a entidade, fatores como alta demanda, maré e condições climáticas não são exceções, mas características previsíveis da travessia, que precisam ser consideradas no planejamento do serviço público.
Outro ponto levantado diz respeito ao modelo operacional atualmente adotado. Embora as balsas rebocadas tenham maior capacidade de transporte, a própria Nota Técnica indica que o tempo médio de embarque e desembarque chega a cerca de 20 minutos, representando a maior parte do tempo total da travessia. Isso, segundo a associação, ajuda a explicar a formação de filas prolongadas nos horários de pico.
A manifestação também chama atenção para um aspecto relevante: o próprio Governo do Estado prevê, no âmbito da concessão do Sistema de Travessias, a aquisição de três novas embarcações autopropelidas e elétricas para a linha Guarujá–Bertioga, com o objetivo declarado de reduzir filas, melhorar a segurança e elevar a qualidade do serviço. Para a Água Viva, essa previsão reforça que o modelo atual apresenta limitações e que as preocupações da população são legítimas.
Após o envio da manifestação, o Ministério Público do Estado de São Paulo confirmou o protocolo do peticionamento apresentado pela Associação Guarujá Viva – Água Viva, informando que os documentos foram devidamente recebidos e passaram a integrar o histórico oficial do Inquérito Civil nº 0684/25, que segue em análise.
Diante desse cenário, o Ministério Público continua acompanhando o caso. Entre os pedidos apresentados pela Água Viva estão a manutenção do Inquérito Civil, a realização de vistorias técnicas em horários de pico e a solicitação de um cronograma claro para a entrega das novas embarcações previstas na concessão.
“A travessia Guarujá–Bertioga é um serviço público essencial, que impacta diretamente a mobilidade regional e a vida cotidiana da população. Nosso papel é contribuir para que esse serviço seja eficiente, transparente e compatível com a realidade de quem o utiliza todos os dias”, destaca o Eng. José Manoel Ferreira Gonçalves, presidente da Água Viva.
A entidade reafirma seu compromisso com o diálogo institucional, a fiscalização cidadã e a defesa do interesse coletivo, e continuará informando a comunidade sobre os próximos desdobramentos do procedimento.